Selic em queda: oportunidades no IBRA | Genial Investimentos
Renda Variável · Estudo temático

Selic em queda: empresas que podem se beneficiar desse cenário e quais as melhores oportunidades

Companhias que cresceram a receita, preservaram as margens e ampliaram o resultado operacional desde 2021, enquanto o custo da dívida passou a ficar com uma parte maior desse ganho. Com a Selic em queda desde março de 2026, o resultado financeiro tende a pesar menos.

Dados financeiros até o 2T26 · Preços de fechamento de 28/09/2026 · Consenso consultado em 29/09/2026
13,75%Selic hoje (pico de 15,00% em jun/2025)
12,00%Selic esperada no fim de 2027 (mediana Focus de 18/09/2026)
18das 118 empresas não financeiras do IBRA analisadas passaram nos critérios e na revisão
6com alta sensibilidade aos juros
A tese

Operação mais forte, resultado pressionado pelos juros

Entre março de 2021 e junho de 2025 a Selic subiu de 2% para 15% ao ano, com uma pausa de cortes entre agosto de 2023 e maio de 2024, quando chegou a 10,50%. Para empresas que dependem de capital de terceiros para crescer, como locadoras, varejistas, empresas de educação, saneamento e energia, esse movimento transferiu parte relevante do resultado operacional para o pagamento de juros.

O estudo procura companhias em que a operação melhorou e o resultado financeiro passou a absorver uma parte maior da receita: a receita seguiu crescendo, as margens ficaram próximas ou acima do padrão de 2021 a 2023, e o EBIT e o EBITDA estão acima dos níveis de 2021. O critério não exige queda do lucro: na maior parte das selecionadas, o lucro de 12 meses já supera o de 2021. O que o estudo capta é a fatia do resultado operacional que passou a ficar com os juros, e que tende a diminuir à medida que eles recuam.

O Banco Central iniciou o ciclo de cortes em março de 2026 e, até setembro, levou a Selic de 15% para 13,75%. A mediana das projeções do boletim Focus de 18/09/2026 aponta 13,50% no fim de 2026 e 12,00% no fim de 2027. Na dívida atrelada ao CDI, o corte chega à despesa financeira quase de imediato, porque os juros são recalculados pela taxa do período; na dívida prefixada ou atrelada à inflação, o alívio só aparece quando ela é renovada. Como o caixa aplicado também passa a render menos, o ganho líquido depende de quanto a dívida supera o caixa.

O efeito tende a ser mais intenso quanto maior a parcela do EBITDA hoje consumida pelo resultado financeiro e quanto maior a alavancagem, que é o que o mapa de sensibilidade mais abaixo mostra. O estudo não é uma recomendação: ele identifica empresas em que essa alavanca existe, e cada caso tem riscos próprios, descritos na análise de cada companhia, mais abaixo.

Selic meta (% ao ano)

Valor no fim de cada mês, de jan/2020 a set/2026 (o último ponto é a taxa vigente em 29/09/2026), e mediana do Focus para o fim de 2026 e de 2027

Selic metaProjeção Focus

Fontes: Banco Central do Brasil (Selic meta, via brapi.dev; boletim Focus, API de Expectativas de Mercado).

Metodologia

Como a seleção foi feita

Foram analisados os balanços trimestrais das empresas não financeiras do IBRA com dados comparáveis desde 2021 (118 de 126), do 1T20 ao 2T26. Ficaram de fora, por falta de série trimestral comparável na fonte de dados: Armac, Camil, Natura, Petz/Cobasi, São Martinho, TIM, Tupy e Vitru. Para neutralizar a sazonalidade, os indicadores foram medidos em 12 meses acumulados. Uma empresa entra na lista quando atende aos quatro critérios e passa pela revisão da série.

1

Receita crescente

Receita líquida dos últimos 12 meses maior que a de 2021, com crescimento médio acima de 3% ao ano em valores nominais (sem descontar a inflação), e maior que a dos 12 meses anteriores.

2

Margens preservadas

Margens EBITDA e EBIT dos últimos 12 meses no máximo 1,5 ponto percentual abaixo do nível típico (mediana das leituras de 12 meses entre 2021 e 2023).

3

Operação mais forte

EBIT e EBITDA acima do nível de 2021 e, no máximo, 3% abaixo do nível de 12 meses atrás.

4

Juros pesaram e depois estabilizaram

Em algum momento desde meados de 2022, o resultado financeiro pesou pelo menos 1 ponto percentual da receita a mais do que em 2021 (ou a piora chegou a 10% do EBITDA atual). E, na média dos dois últimos trimestres, esse peso não piorou mais de 0,5 ponto em relação aos dois anteriores. Em algumas empresas o peso atual já é menor que o de 2021.

5

Revisão da série

Cada aprovada passou por duas revisões separadas da série trimestral, uma delas encarregada de contestar a aprovação, em busca de aquisições, cisões e ganhos pontuais que distorcem a comparação. Não se trata de auditoria contábil.

148 ações no IBRA (144 empresas)→126 não financeiras→118 com dados comparáveis→30 nos quatro critérios→18 após a revisão

Sensibilidade aos juros: alta quando o resultado financeiro consome 25% ou mais do EBITDA e a dívida líquida bancária é de pelo menos 1,5 vez o EBITDA; média quando consome entre 10% e 25% (ou mais, com dívida menor); baixa abaixo de 10%. EBITDA calculado como EBIT mais depreciação e amortização. Dívida líquida bancária sem arrendamentos (aluguéis). O resultado financeiro é o valor líquido da demonstração de resultados: além dos juros da dívida, inclui juros sobre arrendamentos, variação cambial, derivativos e o rendimento do caixa, e parte disso não acompanha a Selic. Bancos, seguradoras, bolsa e holdings de participação ficaram de fora, porque neles receita e resultado financeiro têm outra natureza.

Mapa de sensibilidade

Onde os juros pesam mais

Quanto mais à direita, maior a alavancagem; quanto mais alto, maior a fatia do EBITDA consumida pelo resultado financeiro nos últimos 12 meses. As empresas acima e à direita das linhas tracejadas (resultado financeiro de 25% ou mais do EBITDA e dívida líquida bancária de 1,5 vez o EBITDA ou mais) são as de alta sensibilidade, que tendem a ter o maior alívio com a queda da Selic, na medida em que a dívida seja atrelada ao CDI. Clique ou toque em um ponto para abrir a empresa.

Dívida líquida bancária

Empréstimos, financiamentos e debêntures, menos caixa e aplicações de curto prazo, no último balanço. Não inclui os arrendamentos (aluguéis).

Por que difere da empresa

A dívida exclui os aluguéis, mas o EBITDA inclui o efeito contábil deles (IFRS 16). Por isso a alavancagem calculada tende a ficar abaixo da divulgada pelas companhias.

Abaixo de zero

No eixo horizontal, valor negativo significa que a empresa tem mais caixa do que dívida.

As empresas

18 empresas selecionadas

Comparativo

Os números lado a lado

Indicadores em 12 meses até o último trimestre divulgado, em ordem alfabética. Clique no título da coluna para ordenar e na linha para abrir a empresa. O potencial compara o preço de fechamento com o preço-alvo da Genial e com a média dos preços-alvo do mercado.

Transparência

Passaram no filtro, mas ficaram de fora

Estas 12 empresas atenderam aos quatro critérios numéricos, mas a revisão da série mostrou que o resultado vinha de um evento pontual ou de uma mudança de perímetro (aquisição, cisão ou incorporação), que a tese de alívio dos juros não se aplica à empresa, ou que um fato societário, como uma oferta pelas ações, passou a determinar o preço. Por isso não fazem parte do estudo.

Autor

Filipe Villegas

Estrategista de Ações · CNPI-P

filipe.villegas@genial.com.vc

Disclaimer

A Genial pode fazer negócios com empresas que constam nos seus relatórios de pesquisa. Como resultado, os investidores devem estar cientes de que a empresa pode ter um conflito de interesses que poderia afetar a objetividade deste relatório. Os investidores devem considerar este relatório como apenas um dos fatores na tomada de sua decisão de investimento.

Fontes e metodologia

Demonstrações financeiras trimestrais (DRE, DVA e balanço patrimonial) enviadas à CVM, obtidas via brapi.dev, com correções pontuais a partir dos dados abertos da CVM (Pague Menos, 1T22 a 3T22; Vivara, 2T21 e 3T21; Riachuelo, 2T24 e 3T24; Orizon, 4T21) e exclusão de trimestres sem base comparável (Assaí, 2020). Composição do IBRA pela B3 (carteira vigente em 29/09/2026). Selic meta e boletim Focus pelo Banco Central do Brasil. Preços de fechamento, distribuição das recomendações e média dos preços-alvo de analistas pela TradingView, atualizados a cada dia útil (última consulta em 29/09/2026). Recomendação e preço-alvo da Genial Investimentos a partir do relatório mais recente do Genial Analisa sobre cada empresa, com link para a íntegra. Descrição das empresas, leitura de mercado e fatos recentes compilados com apoio de ferramentas automatizadas de pesquisa a partir de documentos das companhias, notícias e publicações públicas, com as fontes e datas indicadas em cada empresa. Indicadores em 12 meses acumulados; EBITDA calculado como EBIT mais depreciação e amortização da DVA.

Informações importantes

Este material tem caráter exclusivamente informativo e educacional e não constitui oferta, solicitação ou recomendação de compra, venda ou manutenção de qualquer ativo. A seleção resulta de critérios quantitativos aplicados a demonstrações financeiras públicas e não considera preço, valor justo, liquidez, nem os objetivos e a situação financeira de cada investidor. A visão do mercado é descrita de forma agregada, nas datas indicadas, e pode mudar sem aviso. Nas empresas cobertas pelo Research da Genial, a recomendação e o preço-alvo exibidos são os do relatório mais recente da casa. O potencial pela média do mercado, na tabela comparativa, usa a média dos preços-alvo agregada pela TradingView e é omitido quando o dado não passa na checagem de coerência.

A queda dos juros pode não se confirmar, e o efeito sobre cada empresa depende do indexador e do prazo da dívida; os preços das ações podem já refletir parte dessa expectativa. Rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura. Investimentos em renda variável estão sujeitos a perdas, inclusive do capital investido. Antes de investir, verifique a adequação do investimento ao seu perfil.